Virgínia Fonseca tem levantado debates nas redes sociais por aparecer com o corpo cada vez mais musculoso. Em meio a rumores de uso de anabolizantes, o que a influenciadora nega, internautas também notaram que a voz dela engrossou nos últimos tempos.
Em recente entrevista ao colunista Leo Dias, Virgínia afirma que se trata de um efeito colateral do chamado “chip da beleza”. “Eu tinha um chip com testosterona. Mas se for pegar lá atrás, minha voz, com o passar do tempo, ela foi engrossando mesmo. Mas acho que era por conta desse chip que eu usava. Tinha um chip de testosterona e gestrinona, que venceu, mas eu não sei se vou colocar de novo”, argumentou.
O chip hormonal é um implante subcutâneo que libera hormônios de forma contínua e é mais conhecido como método contraceptivo. Neste caso, é utilizado progesterona ou uma combinação de hormônios, dependendo do objetivo. Versões alternativas, como a citada por Virgínia, são consideradas experimentais.
A gestrinona, que fazia parte do tratamento de Virgínia, é um hormônio liberado lentamente na corrente sanguínea para auxiliar no tratamento de doenças estrogênio dependentes, como endometriose, adenomiose, TPM e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).
Trata-se de um hormônio com ação androgênica, ou seja, imita os efeitos da testosterona no corpo. Portanto, é possível, sim, que a alteração da voz de Virgínia seja fruto do chip hormonal.
Segundo Lucas Leme Barros, médico integrativo da clínica Doctor Pure, em São Paulo, o chip não é responsável por alterar a voz quando utilizado apenas como método contraceptivo.
“Alterações de voz podem ocorrer em casos de uso prolongado de doses altas de hormônios androgênicos ou testosterona, mas o chip hormonal padrão usado para contracepção não altera a voz feminina. Se houver mudanças na voz, é importante investigar outras causas e conversar com o médico.”
Segundo a Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza o uso de implantes hormonais com fins exclusivamente estéticos.
“Esses produtos, quando registrados, são indicados para tratamentos médicos específicos, como endometriose, miomas, distúrbios menstruais e doenças estrogênio dependentes. Qualquer uso fora dessas indicações é considerado ‘off label’”, esclarece.
Entre os principais riscos, estão acne, oleosidade da pele, queda de cabelo, alterações no humor com aumento da irritabilidade, crescimento de pelos em áreas indesejadas e alterações menstruais. “Além disso, há risco de supressão do eixo hormonal natural, dificultando a reversão dos efeitos mesmo após a retirada do implante”, comenta.
De acordo com a avaliação da ginecologista, o chip da beleza ficou popular por conta da promessa de benefícios rápidos e visíveis, como a melhoria da libido e da celulite. A médica alerta: “As redes sociais amplificaram essa tendência, promovendo o ‘chip’ como uma solução estética quase milagrosa. No entanto, essa fama muitas vezes ignora os riscos, a ausência de indicações médicas precisas e o uso indiscriminado, sem o devido acompanhamento.”
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